sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Sessão 14: Coruja da discórdia

 Após chegarem à noite em Grão-de-Coelho e Aysche conjurar o Pequeno Refúgio de Leomond, os aventureiros se recolheram para descansarem à noite, para na manhã seguinte se dirigirem ao Santuário de Savras. 

 Durante à noite, Kayr, em seu transe, voltou a revisitar suas lembranças sobre os tempos que passou em Faéria, logo após beber o chá com verme, e engasgar. Seu antigo amigo, ri do engasgo e bate em suas costas, dizendo: De onde você acha que vêem suas facas psíquicas? Neste momento, ele se transporta para a Mina de Ouro Pé da Montanha e vê, como se fosse um dos homens-ratos, um ataque dos anões ao bando do bigode. Ao sair do transe, não sabe dizer se foi uma visão antiga do homem-rato que ele acertou, ou se foi uma visão presente, nem se é uma visão verdadeira.

 Elrond sonha, mais uma vez, que perde o controle do lobisomem e ataca um de seus amigos, dessa vez sonhou com um ataque à Aysche. Os demais não tiveram intercorrências em seus descansos.

 Na manhã seguinte, ao saírem do refúgio mágico, observam que a chuva que acompanha-os à alguns dias parece ter aumentado sua irá, com trovejadas e relâmpagos, e caindo de forma bem torrencial, dificultando inclusive a visibilidade. Ainda sim decidiram seguir o planejado e seguiram para o Santuário de Savras.

 Quando se aproximavam da construção, antes de ficarem dentro da visibilidade do local, que tinha uma torre na muralha, onde observaram ter alguém de vigia, Maya decidiu enviar seu familiar, mais uma coruja, para dar uma olhada no local e, depois que retornar, reportar o que vira, assim poderiam decidir como poderiam se aproximar sem atrair atenção. Enquanto isso, Aysche preparava o ritual para ficarem abrigados da chuva novamente no refúgio mágico, porém no meio do ritual, Maya sentiu que perdera contato com sua coruja, indicando que havia sido atacada e voltara para Faéria. Sem terem um reporte da situação do santuário, decidiram então que Kayr iria se aproximar furtivamente, depois de Maya o tornar invisível, e avaliar o local. Maya criou um truque mágico para que Kayr informasse à eles que poderiam se aproximar.

 Mesmo estando invisível, com o fato de estar chovendo, Kayr precisaria tomar cuidado para não ser localizado. Contou com sua capacidade de se manter furtivo e estar invisível para dar a volta nas muralhas que protegiam o antigo santuário. Observou que várias paredes da muralha haviam caido e que o Santuário em si estava em ruínas, porém ainda de pé, com o seu sino ainda no campanário. Também viu que haviam acampamentos que poderiam suportar uns 30 orcs, em que, cada um, tinha um orc de vigia na chuva e os demais protegidos dentro das cabanas de lona.

Mesmo com a visibilidade limitada, observou que seriam muitos orcs dentro das cabanas.

 Quando estava na parte de trás das muralhas em ruínas, ouvira sons altos de algo que parecia uma discussão, porém não entendia que língua era aquela. Ao seguir dando a volta, em uma das torres da muralha (eram 4, porém somente 1 ainda estava de pé, as demais parcialmente destruídas) observou que havia um sino grande e velho, quebrado, jogado dentro da torre em ruínas. Ao chegar no lado oposto da muralha, conseguiu descobrir o que gerara aquele sons altos aparentando discussão: Havia 4 ogros (um deles com uma corrente enorme nas mãos), que pareciam bravos uns com os outros e discutindo algo, mas Kayr não conhecia a língua em que falavam.

4 ogros gritavam uns com os outros.

 Seguindo a investigação do local, conseguiu adentrar as muralhas em ruínas, sem ser visto, e se aproximar da única torre ainda de pé, que tinha um vigia no seu topo. Entrou na torre sem ser visto e subiu as escadas, abrindo um alçapão, vagarosamente, que levava ao local onde estava o orc vigia, que de costas para o alçapão e com o forte barulho da chuva, não percebeu o ladino invisível se aproximar furtivamente. Rapidamente Kayr ceifou a vida do vigia, e o escorou sentado de uma forma que não percebessem que ele estava morto. Ativou o truque e esperou a aproximação de seus amigos.

 Os demais, assim que o sinal mágico indicou que Kayr os chamara, seguiram, com cuidado, até o santuário, e logo, observaram que o vigia havia sumido, e que Kayr estava em seu lugar (perdera a invisibilidade quando ceifou a vida do orc). Tiraram Kayr da torre, e ele explicou à eles a situação.

 Magnus e Elrond conversavam com Maya e Aysche sobre uma forma de conseguirem distrair os orcs ou os ogros, porém sem muitas idéias, quando ouviram a discussão dos ogros, que aumentaram o volume dos gritos uns com os outros. Nesse momento, Magnus conseguiu entender o que diziam e percebera que eles falavam na língua dos gigantes (a qual ele era fluente). Descobriu que um dos ogros estava irado com outro, pois havia visto uma coruja, e que informara este outro que tentou pegá-la. Porém com o desaparecimento do ser feérico, informou que não sabia onde ela estava, e o que havia visto desconfiava que o outro havia comido ela sem repartir com os demais. Assim a discussão transcorria.

 Ao informar o que ouvira, Elrond teve a idéia de Maya criar um som ilusório para os ogros olharem para o acampamento orc mais próximo, e ela lançar uma Imagem Silenciosa de um orc segurando uma coruja e fazendo gestos ofensivos aos ogros, em seguida correndo para o acampamento. Maya concordou em tentar o plano do paladino, mesmo assim se posicionaram para caso não funcionasse.

 Na hora que Maya fez o truque de um som de um orc ofendendo os ogros e chamando a atenção, um dos ogros olhou para o acampamento orc, e viu a Imagem Silenciosa de um orc segurando a coruja, gesticulando para eles e indo em direção ao acampamento. Então o ogro se virou para os outros e disse que os orcs estavam com a coruja e que iam comê-la. Todos os 4 ogros foram até o acampamento orc mais próximo, jogando a lona do acampamento para o alto e perguntando para um dos orc que lá estavam (eram uns 5 nesse acampamento) onde estava a coruja. O orc, sem entender nada, perguntou que coruja. Insatisfeito e fulo com as ofensas recebidas pela ação dos aventureiros (e sem saberem que se tratava disso), o ogro desceu uma marretada no orc que respondera, matando-o em um só golpe.

O ogro não ficou satisfeito de roubarem seu almoço.

 Os orcs restantes deram o alarme para os demais acampamentos, e entraram em combate com os ogros, que reagiam atacando-os. Aproveitando toda a distração gerada, os aventureiros aproveitaram para adentrar no santuário por uma das pareces quebradas.

 Dentro do santuário, vasculharam vários cômodos, todos (exceto um) estavam vazios, e com poucos sinais de utilização recente (enquanto ouviam o barulho de luta entre os orcs e ogros lá fora). Aysche percebera que o sino parecia bem mais novo que o resto do santuário e que haviam ranhuras douradas nele, mas não pareciam ser partes banhadas à ouro, pois eram muito irregulares e não tinham um padrão, porém não compartilhou a informação. Um dos cômodos tinha uma porta fechada e havia barulho de golpes e gemidos dentro, Kayr verificou pela fechadura que se tratava de uns 3 orcs, no mínimo, e um deles batia em alguém que estava amarrado em uma das pilastras do santuário, e reparou que o local parecia ter um altar meio fora do lugar. Além disso, percebeu que o orc que espancava alguém na pilastra, usava um braço humanoide como clava para bater.

O orc que usava um braço humanoide para bater, parecia ser o líder.

 Sem tempo a perder, arrombaram a porta e observaram que haviam 5 orcs (contando com o que batia no homem amarrado na pilastra), 4 vítimas presas em 4 pilares (sendo duas visivelmente mortas, uma desacordada) e que a vítima que teve seu braço arrancado e apanhava do orc que batia com seu próprio braço era alguém que conheciam: Uther Grandflaer.

 Rapidamente mataram os 4 orcs que estavam de guarda, e derrubaram o que parecia ser o líder. Amarraram-no na pilastra e foram tentar socorrer Uther, porém observaram que devido as seus ferimentos, acabara de falecer. Logo Aysche se lembrou que comprara um diamante e queria tentar pedir a Sêlune sua benção para ressuscitar o velho amigo. Utilizou o diamante, e tentou, pela primeira vez, conjurar a magia para trazê-lo de volta à vida. E Sêlune à abençoou com esse feito. Uther voltara à vida, ainda sem braço (que teve a ferida cauterizada pela própria magia), mas vivo.

 Ele olhou para os aventureiros e murmurou: Sabia que vocês viriam! Não sabíamos que eles tinham ogros, não tivemos chance. Ainda bem fraco, agradeceu aos aventureiros e explicou o que fizera desde então. Após isso, os aventureiros foram acordar o orc prisioneiro e interrogaram ele, querendo saber quantos grupamentos mais eles tinham e as informações sobre os dissidentes que se voltaram à Talos. O orc, percebendo que nada mais poderia fazer e que os ogros e orcs lá foram estavam se matando, disse tudo que sabia. Ao ser perguntados sobre suas últimas palavras disse: Que seja da forma mais cruel que puderem fazer, assim serei recebido de braços abertos por Grummsh!

 Elrond entregou a espada de Uther à ele, e disse que a vingança pertencia à ele. Uther se aproximou do orc que até pouco tempo o espancava até a morte com seu próprio braço arrancado, e, ainda cansado, enfiou-lhe a espada quase o empalando, sem tirar os olhos dos olhos do orc, que vomitava sangue conforme a lamina entrava. Uther ainda torceu a espada antes de tirá-la e se recostou na pilastra, exausto.

 Kayr, intrigado com o altar fora do lugar, parecia desencaixado, se aproximou e analisou o local, procurando se tinha alguma armadilha, porém percebera que estava fora do lugar apenas, e decidiu colocar no lugar. Assim que o altar encaixou no local, fez um clique, um compartimento secreto no altar se abriu, e Kayr caiu desacordado para trás.

 Enquanto caia para trás, Kayr viu-se saindo de seu corpo e flutuando, como se voasse fora de seu corpo, atravessando o teto do santuário, em que vira os ogros estraçalhando os orcs, em uma batalha sangrenta e em extrema lentidão, como se o tempo tivesse diminuído o compasso. Porém seguiu voando, subindo as Montanhas da Espada, chegando próximo ao Pico da Ponta Gélida, onde havia uma fortaleza meio congelada, e ao se aproximar do terraço da fortaleza, observou o Dragão Branco, Cryovain, deitado, cochilando. Ao se aproximar, o dragão acordou, olhou para os lados e disse: Quem está aí? Não posso vê-lo, mas posso sentí-lo. Não é seu cheiro, mas está aqui. Nessa hora, Kayr percebeu que uma película revestiu os olhos do dragão, que olhou-o diretamente e disse: Aí está você! Neste momento, Kayr foi puxado muito rapidamente para seu corpo.

Cryovain encarando Kayr

 Enquanto isso, os aventureiros, que tentaram acordar Kayr, observaram que dentro do altar haviam algumas coisas escondidas: Uma bolsa, uma capa e um pergaminho. Magnus pegou a bolsa para verificá-la, Maya pegou o pergaminho e Elrond a capa. Neste momento Kayr volta a seu corpo dizendo: Eu vi o dragão! Eu sei onde ele está! Magnus que investigava a bolsa, tirou dela uma bola felpuda disforme, mas ao ouvir Kayr dizendo que viu o dragão e que fora após tocar no altar, jogou a bola felpuda de lado, correu e tocou no altar, na esperança de conseguir ver onde está dragão azul que dizimou sua vila e família, porém sem sucesso.

 A bola felpuda caiu no chão e se transformou num chacal, que docilmente se aproximou dos aventureiros e lá ficou com eles. Maya pegou a bolsa e vasculhou ela, percebendo que parecia ter mais umas duas bolas felpudas daquelas. Ficou com a bolsa e o chacal ficou a acompanhando. Kayr ao ver a capa que Elrond analisava, reconheceu como uma capa do Povo Élfico, e pegou-a para si (pois não achava que um meio-elfo era digno de algo do seu povo). Uther chamou Elrond e deu-lhe o escudo que era de Alfonse Kalazorn, pois Linda havia dado à ele para honrar a vida de Alfonse, mas agora não tinha mais serventia para ele, pois só tinha um braço e preferia usar a espada ao escudo. Era um escudo mágico, chamado Escudo dos Peixes, que dá mais equilíbrio e assertividade nos golpes dados.

 Maya abriu o pergaminho e começou a lê-lo em voz alta, em que contava a história da ruína de Grão-de-Coelho, de como os povos bárbaros invadiram a região e o povo fugiu para o santuário de Savras, levando todo ouro da cidade com eles, porém ao saberem que os bárbaros seguiam os perseguindo, decidiram então derreter o ouro e escondê-lo à vista de todos. No fim do pergaminho dizia: Que Savras os ilumine e deixe esse nosso tesouro nas mãos de quem merece.

 Neste momento encerramos à sessão.

Sessão 22 e 23: Surge Gorthok, o Javali Trovão

 Então Elrond convenceu os demais à explorar rapidamente o casarão, e ao passarem pelo pátio onde estava a árvore maligna, observaram que el...